O RAPAZ PAULO

 



Chamo-me Paulo. Tenho oito anos. Já sei ler e escrever.

Primeiro, eu tive de aprender o nome de todas as letras. São vinte e nove, e cada uma tem um nome diferente.

Isso faz muito tempo. Pelo menos, dois anos.

No inicio, não gostei muito. Havia coisas mais interessantes: esperar que madurassem as cerejas. E também correr com meu cachorro entre o arbusto. Quando o arbusto cheirava, ia com meu pai na barca e trazia para casa uma cesta cheia de peixes. Mas o que mais gostava era dormir no colo da mamãe, enquanto ela cantava uma canção de ninar.

Bem, o mundo, ou pelo menos, o meu povo, está cheio de maravilhas: ondas, dias chuvosos, peixes, o barco do papai e coisas assim. Algumas são mÁgicas. Como quando você leva um daqueles golpes no cotovelo ou na testa que doem tanto. Ou como quando você prende o dedo na porta da cozinha. Então, vinha mamãe e me dava um beijo na dor e cantava. E a dor vai embora.

Agora, além de tudo isso, eu posso escrever qualquer palavra e lê-la em voz alta.


Tradução de Antos: lecturas y comentarios. Anaya 1985

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